Esse tópico também dá muito pano para manga. Coloquei só quatro, quatro filmes de muita qualidade diga-se de passagem. Mas, se tiver mais sugestões, por favor, coloque nos comentários.

Bob Roberts (1992)

     Quando Tim Robbins lançou esse filme em 1992, foi incensado pela crítica. Alguns diziam que ele era uma espécie de novo Orson Welles, por ter escrito, dirigido e atuado. Um exagero, mas isso não tira o brilho de “Bob Roberts”, que, apesar de meio esquecido, mantém a sua verve intacta até os dias de hoje. Engraçado que o personagem foi criado para uma esquete do programa “Saturday Night Live”.

     Usando o formato do mockumentário (documentário falso), Tim fala sobre Bob Roberts, um político sem nenhum caráter, mas no qual sobra esperteza e carisma. O documentário (dentro do filme) é dirigido por um cineasta britânico que acompanha a campanha eleitoral para um cargo de senador no Congresso, onde dois rivais, um republicano (Tim Robbins) e outro democrata (Gore Vidal), disputam o assento.

O Candidato (1972)

     Assim como Milk, este também ganhou o Oscar de Roteiro. Pertence a uma leva de filmes americanos dos anos 70 que abordaram explicitamente a questão da ética na política, como, por exemplo, “Todos os Homens do Presidente”. Muito da empatia que o filme cria é baseada no fato de que o processo político é colocado como um rio de forte correnteza que te leva sem que você note, fazendo com que promessas e mentiras sejam ditas quase que inocentemente, mas com consequências catastróficas.

     Marvin Lucas, interpretado por Peter Boyle, tem que arranjar um candidato para o partido democrata. Acha Bill McKay. Como suas chances são pequenas, é dada a McKay a possibilidade dele falar o que quiser. Isso é um desastre, e McKay, para não ser humilhado, tem que ceder e dizer o que o público quer ouvir. Isso faz com que ele comece a crescer nas pesquisas, dando-lhe chances de ganhar. E isso muda sua atitude em relação à política, fazendo-o ir do idealismo para um pragmatismo perigoso. A última frase do filme é memorável, depois que ele vê que ganhou a eleição: “Marvin… o que faremos agora?”

Milk: A Voz da Igualdade (2008)

     Sean Penn interpreta Harvey Milk, ativista gay e primeira pessoa abertamente gay a se eleger para um cargo político público na California, como membro da San Francisco Board of Supervisors. Tem um fim trágico em 1978, quando tanto ele quanto o prefeito George Moscone são assassinados por Dan White, um outro “supervisor municipal”. Sean Penn está muito bem no papel, mas o que mantém o interesse do espectador até o final é a narrativa, muito bem organizada por Dustin Lance Black.

     O filme ganhou os Oscars de Melhor Ator e Melhor Roteiro Original e segue a vida de Milk à partir do seu quadragésimo aniversário, quando ainda vivia em Nova Iorque e não tinha ido para San Francisco, até o momento de sua morte. Ao contrário do que se pode pensar, a narrativa não faz uso de clichês fáceis, inclusive no modo como retrata o homem que irá matar Milk, Dan White.

Conversa Truncada (2009)

     Apesar de em português ter um título horroroso, “Conversa Truncada” – baseado na série britânica “The Thick of It” – é engraçado, inteligente e “boca-suja”. O “boca-suja” reflete a personalidade de Malcolm Tucker, um “spin doctor” interpretado por Peter Capaldi. Ele, junto de outros profissionais do Gabinete Britânico, tem de operar nos bastidores de poder para impedir uma guerra entre os EUA e o Reino Unido.

     Nesse caso, não são os políticos o centro da atenção e sim uma série de profissionais que trabalham no governo, lidando com assessoria de imprensa, relações públicas e comunicação política. E isso dá ao filme sua originalidade. Além, é claro, da infinidade de diálogos brilhantes que abundam no filme, como “Climbing the moutain of conflict? You sounded like a Nazi Julie Andrews!”

     Quer deixar nos comentários mais um filme sobre políticos que você acha bom? Ou já viu algum desses que indiquei? Desembucha!

 

 

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