Pouca gente dedica algumas horas de sua vida a conhecer as obras de arte escondidas em museus. No cinema, acontece o mesmo. No entanto, em alguns filmes essa regra é quebrada e o museu aparece como parte integrante da narrativa.

Curtindo a Vida Adoidado (1986)

     Comecemos por um filme que mostra o museu como um lugar lúdico, embora os personagens não saibam muito bem o que fazer lá dentro. A apreciação artística está reduzida a simplesmente olhar para um quadro e ficar parado, esperando alguma coisa acontecer.

     Nada de errado com isso, apenas mostra que, muitas vezes as pessoas não vão ao museu pois, ao olhar para um quadro, você não sabe como sair do usual ao analisá-lo, caindo na velha pergunta: “É bonito ou não”? E mais nada.

Uma Noite no Museu (2006)

     Nesse filme, o museu faz parte integrante da narrativa, já que lida com uma premissa fantástica: a de que as peças expostas podem criar vida e interagir com as pessoas, no caso, um guarda que protege o patrimônio do local.

     Estamos um passo a frente da apreciação lúdica, parece que há uma verdadeira vontade e intenção de fazer tudo aquilo que existe no museu “tomar vida” e contracenar com os seres vivos. Como é um filme para toda a família, no entanto, a coisa para por aí.

Arca Russa (2002)

     “Arca Russa” é “Uma Noite no Museu” para o público dos festivais, já que o homem de preto que passeia pelos corredores do Museu Eremitério de São Petersburgo encontra figuras históricas russas dos últimos duzentos anos em meio a quadros e restos de um tempo passado que não volta mais.

     Sukorov faz um passeio pelo museu com a câmera móvel que não corta nunca, um único plano-sequência que encarna essa linha do tempo ininterrupta que é a História. Mas, além disso, eu me pergunto exatamente o porquê dele ter filmado dessa maneira. Deixarei para que vocês me deem a resposta.

Síndrome de Stendhal (1996)

     Agora saímos da realidade fantástica e caímos no reino da imaginação. Anna Manni, interpretada por Asia Argento, entra na “Galeria dos Ofícios” em Florença para descobrir que tem “Síndrome de Stendhal”. E ela imagina entrar dentro dos quadros, quase como se estivesse em um sonho, ou pesadelo.

     A primeira sequência, os dez primeiros minutos do filme, quase sem diálogos, está entre as melhores coisas que Argento já fez em sua carreira. O resto do filme, infelizmente, não é tão bom, mas ainda assim, em minha modesta opinião, é o melhor filme do italiano desde “Terror na Ópera” (1987).

Viagem à Itália (1954)

     Por fim, vamos a esse filme que, como “Síndrome de Stendhal”, trabalha em cima do que um museu pode criar dentro da mente de uma pessoa. Em dado momento, Ingrid Bergman vai ao museu de Nápoles e admira as estátuas. Quando volta e fala com o marido, no entanto, algo não correu como esperava.

     Ela havia namorado um poeta anteriormente e ele via as estátuas do lugar visitado como “figuras ascéticas”. Ela, no entanto, teve uma compreensão diferente, os homens e mulheres retratados, para ela, não tinham nada de “ascético”. A questão é que isso não acontece apenas em um museu, mas com toda obra de arte e, mais ainda, com o cinema. Chama-se “Ponto de vista”.

     Mais filmes em museus? Não guarde isso para você, faça uso da seção de comentários!

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