Criado em 1930, implantado na prática em 1934 e substituído em 1968, o Código Hays, apelido do “Motion Picture Production Code”, surgiu para moralizar uma Hollywood que, segundo o ponto de vista de uma parte da população americana, estava se excedendo tanto dentro quanto fora das telas. Para quem quiser ler o documento, clique aqui. O fato é que, à partir da década de 50, o código foi enfraquecendo, enfraquecendo, até cair de maduro no final dos anos 60. Não há lista oficial de filmes que mostram a decadência e queda do código, mas acho que esses três abaixo dão uma ideia da situação na época do ocaso do Código Hays.

Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (1967)

     Mais como consequência do que como causa (o que não tira seus méritos), Bonnie e Clyde se beneficiou da mudança que houve na representação dos dilemas morais e da violência no cinema americano, situando-se numa encruzilhada de três estradas, a transformação do sistema de estúdio tradicional, que se deu dos anos 50 aos anos 70, a influência da Nouvelle Vague francesa em Hollywood e o fim do código Hays.

     Os personagens amorais e a violência extrema e quase explícita (para a época) eram novidade e provinham do afrouxamento sucessivo a que o Código havia sido submetido nos anos 60, fato que correu concomitante a perda de força dos estúdios e a influência dos franceses, tanta, que o filme chegou a ser oferecido para Truffaut e depois para Godard o dirigirem, acabando mesmo, no entanto, nas mãos de Arthur Penn.

Meu Ódio Será a Sua Herança (1968)

     “Meu Ódio Será Sua Herança” começou a ser filmado enquanto o Código Hays ainda estava em vigência, mas, ao final das filmagens, este já havia sido substituído pelo código da MPAA (Motion Picture Association of America), mais leniente, mas que acabou por não impedir que vários cortes fossem feitos, pela simples razão de que, para os produtores, o filme parecia estar deslizando para um caminho sem volta para o fracasso.

     Com comentários como “Não lancem esse filme. O negócio todo é doente” ou “O pior potpourri de vulgaridade, violência, sexo e derramamento de sangue jamais feito”, o estúdio decidiu fazer cortes que Peckinpah autorizou apenas para uma cópia a ser exibida em um cinema, mas que valeram para todas as cópias lançadas, dando início a uma relação tensa dele com os estúdios que iria se manter no decorrer dos anos 70 (se quiser saber mais sobre essa história clique aqui).

Perdidos na Noite (1969)

     No ano seguinte à queda do Código, esse filme, que inicialmente havia ganho uma classificação “X”, ganhou o Oscar e, assim, além de ter virado “R” (para saber o que significa “X” e “R”, clique aqui), coroou uma certa mudança de pensamento e comportamento que havia nascido, crescido e amadurecido até se transformar em um novo código e em uma nova Hollywood.

     O filme, no fundo, é um “buddy movie”, onde dois homens diferentes, Joe Buck e “Ratso” Rizzo, um caipira e um malaco das ruas, se encontram e desenvolvem uma amizade, tendo como diferencial o fato deles vagarem pelo lado “barra pesada” da cidade, ganharem seu dinheiro de forma pouco usual (gigolô e trambiqueiro, respectivamente) e Ratso sofrer de uma tosse estranha que garantirá um final bem dramático para a história.

     Mais filmes que “enterraram” o Código Hays? É para isso que serve a seção de comentários!

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