Anos 80… Guerra Fria… medo e paranoia acerca de um possível ataque nuclear… são tempos que não voltam mais… AINDA BEM (embora esteja aí a Coreia do Norte para fazer com que eu repense meus conceitos)! Quanto aos filmes, cada qual com os méritos que lhes cabem, todos são, em maior ou menor grau, apelativos. Esse é um post para quem tem estômago forte (embora os datados efeitos visuais dos filmes não impressionem mais como fizeram antes).

O Dia Seguinte (1983)

     Enquanto, nos cinemas americanos, acotovelavam-se as crianças e agigantavam-se as bilheterias de filmes como E.T., Retorno de Jedi e Superman III, nas casas de classe média, via TV, adolescentes e adultos sentiam os primeiros efeitos de um conjunto de filmes, do qual este foi o primeiro, que mostrava os possíveis resultados de uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética.

     Icônico nos anos 80 e quase esquecido hoje em dia, Steve Guttenberg, que, logo depois, iria atuar em Loucademia de Polícia e Cocoon, interpreta nesse filme uma das pessoas que, com o advento do cogumelo atômico, vê a realidade se tornar um pesadelo “pós-apocalíptico”, só que muito diferente dos que haviam até então, já que não se refere a décadas ou séculos depois da explosão, mas dias e semanas…

Herança Nuclear (1983)

     As cenas chocantes e a infusão de horror no calvário diário dos sobreviventes de um ataque atômico fazem parte do cardápio de O Dia Seguinte e Catástrofe Nuclear, opção recusada por este filme, que avança por outra frente, preocupado em mostrar o cotidiano de uma família se deteriorando, onde Jane Alexander, indicada para o Oscar, entra como “Mãe Coragem”, e nos convida a derramar um mar de lágrimas.

     A vontade de insuflar tristeza mórbida em todas as cenas, seja quando um dos filhos dela morre ou quando ouve-se a música “All My Loving” dos Beatles, é prejudicada pelo desequilíbrio gritante que há entre os diversos atores que choram copiosamente, incluindo aí um jovem Kevin Costner, que mostra, sem sombra de dúvida, que sua falta de expressividade não é produto de laborioso trabalho e sim vocação natural.

Catástrofe Nuclear (1984)

      Se “às vezes um charuto é apenas um charuto”, como diz Freud, constato que o contrário também pode ser verdadeiro ao notar esta suposta coincidência: os dois filmes americanos do post possuem um formato “mainstream”, apesar do conteúdo chocante e dramático, enquanto os dois filmes britânicos calcam seus dramas na animação, em Quando o Vento Sopra, e no docudrama, no caso de Catástrofe Nuclear.

     Dado o caráter espalhafatoso do assunto abordado, isso me soa por parte dos britânicos como algo próximo do pudor, como se eles tivessem que, através do formato escolhido, “desdramatizar” um pouco o conteúdo para evitar o constrangimento, coisa bastante benéfica, já que grande parte da qualidade de um filme nasce do que o realizador não diz ou quer esconder e não necessariamente do que ele quer falar.

Quando o Vento Sopra (1986)

     Quão deprimente é acompanhar um casal de adultos, já no outono de suas paixões, descobrindo lentamente, logo após à explosão de uma bomba nuclear, que, nada que pensem ou façam irá mudar o fato de que após um desastre dessa proporção, seus corpos entrarão em um processo cuja linha de chegada é a morte e os pontos intermediários têm como principal característica a dor?

     Como, em “live action”, mostrar um casal de meia-idade se deteriorando é muito chocante, transformá-los em personagens de animação tornaria, em tese, o processo mais palatável, ação que, paradoxalmente, resultou no inverso: aumentando o “nível de fofura” dos personagens, a impressão que causam ao entrarem em decadência é a mesma que o Pateta ou o Pato Donald causariam morrendo de câncer, horror.

     Conhece mais algum filme com essa temática? Me ajude e escreva nos comentários!

Anúncios