Em se tratando de Alemanha, F.W. Murnau, Fritz Lang e R.W. Fassbinder são os maiores diretores, na minha opinião. Eis aqui os 4 melhores filmes de Murnau.

Nosferatu (1922)

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     Conde Orlok é Conde Orlok porque Murnau fez esse filme sem ter os direitos da obra de Bram Stocker, senão ele teria se chamado Conde Drácula, já que a história de “Nosferatu” é igualzinha a do clássico vampiro, mas com uma diferença: o personagem,  que é raramente representado da forma que foi nesse filme, é repugnante, careca e dentuço, mas fotogênico.

     Murnau filma Max Schrek fazendo pequenos gestos, dando pequenos passos, virando a cabeça, levantando o braço, andando, tudo de forma lenta e compassada, para que possamos ver o vampiro em toda a sua glória, sem que o excesso de movimento ou rapidez nos tire do tom de pesadelo que perpassa o filme, captado em gloriosos tons de cinza, onde até as sombras, como prova a foto acima, são extremamente expressivas.

A Última Gargalhada (1924)

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     Esse filme é clássico e lembrado como um dos melhores exemplos do potencial que existia no cinema mudo de dizer tudo que precisava dizer sem a necessidade de diálogos, voz over ou até intertítulos, esse último um artifício muito usado nessa época, mas que Murnau deixa de lado ao contar a história de um orgulhoso porteiro de hotel de luxo que se torna atendente de um banheiro.

     A humilhação, a frustração e o desespero desse homem que se quebra ao meio é vista através das lentes de um dos cineastas que mais dominou a capacidade de movimentar a câmera, mas que executava, com ela, movimentos que nunca eram gratuitos, como na cena onde o porteiro dorme no banheiro e sonha consigo mesmo em meio a um jantar, carregando malas facilmente como se fosse o Hércules do hotel.

Fausto (1926)

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     A história, como em quase todos os filmes de Murnau, é algo que os espectadores de hoje e de sempre já conhecem, nesse caso, o dilema de Fausto diante do mundo e a venda subsequente de sua alma para o capiroto, só que narrada com imagens que não apenas contam um conto, mas, mais do que isso, mergulham o espectador dentro da realidade espaço-temporal do filme.

     Para atingir seu objetivo, Murnau transformou o Fausto de Goethe em um filme de fantasia com efeitos visuais, criando uma quantidade enorme de imagens icônicas, nesse caso, referentes ao diabo e a Fausto, como ilustra essa imagem acima e outras, em um tempo no qual efeitos visuais diziam mais respeito à iluminação e aos truques possíveis de serem executados com a câmera, tudo feito no bom e velho forno a lenha.

Aurora (1927)

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     Para muitos, esse é o filme definitivo de Murnau, onde sua habilidade de empreender movimentos de câmera inusitados e usar a iluminação para atingir efeitos expressivos atingiu seu ápice, já que, de novo, tudo é feito com perfeição à serviço de uma história aparentemente simples, de amor, traição e (quase) morte, sem nunca esconder o fascínio que uma imagem em movimento suscitava no diretor.

     Uma cena que encarna esse princípio é aquela onde, logo depois de ocorrer uma tentativa de assassinato, homem e mulher se reencontram em um bonde e, nessa delicada cena, que precisa de espaços para o respiro, Murnau usa, para isso, imagens captadas por uma câmera colocada logo atrás do condutor do veículo, mostrando a cidade em movimento, através do para-brisa.

     Gosta de algum filme de Murnau que não foi citado? Escreva nos comentários!

 

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